XXV – GLOBO SEGUNDO CADERNO – 26/04/2015

Posted in poesia performance música comportamento on 05/05/2015 by cepvintemil

Chacal entrega o CEP 20.000 a uma nova geração de produtores e evoca sua história em peça

Evento, por onde já passaram mais de mil artistas, foi criado há 25 anos pelo poeta

por Luiz Felipe Reis

MINOCHACA 
Aos 63 anos, Chacal posa com a lendária cabeça de minotauro que era usada pelo mestre de cerimônias do CEP 20.000: personagem estará de volta no espetáculo ‘XXV’, previsto para estrear no dia 1º de maio, no Espaço Sesc – ANTONIO SCORZA

RIO — Em sua fala mansa, Chacal atira palavras doces e doídas. Culpa da memória, que ora turva ora faz brilhar os olhos do poeta enquanto ele revisita as belezas — e também as bordoadas — vividas nos últimos 25 anos em que esteve na produção e direção do CEP 20.000. A volta ao passado não é nostalgia. Mais do que celebrar o aniversário do CEP, o que Chacal propõe é contar e recriar toda a trajetória do Centro de Experimentação Poética na peça “XXV — Um quarto de século do CEP 20.000”, que estreia no dia 1º de maio, no Espaço Sesc, em Copacabana.

Criado com o também poeta Guilherme Zarvos, com a proposta de abrir luz, som e microfone a quem aparecesse, o CEP recebeu mais de mil artistas nestes 25 anos. Nomes como o poeta Waly Salomão (1943-2003), o ator Michel Melamed, a artista plástica Márcia X (1959-2005), o coletivo Chelpa Ferro, o ator e escritor Gregorio Duvivier e o grupo Pedro Luis e a Parede.

— Agora, a ideia da peça é ir do começo, em 1990, até aqui, passando por todas as quatro diferentes fases do CEP — diz Chacal.

E a última delas se inicia agora, quando ele coloca um “ponto final num ciclo”.

— Estou deixando a direção e a produção do CEP — conta. — Mas de alguma forma vou continuar lá, dando força e participando, porque o CEP ainda me dá um puta prazer e me renova. Mas vou estar de um outro jeito, com uma nova geração à frente da condução.

A nova geração corresponde aos integrantes da banda Netuno, Gabriel Lessa, Juliano Lessa, Bianca Marzulo e Mariana Milani:

— Nós nos apresentamos no CEP há uns seis meses, e o Chacal curtiu nosso trabalho. Quando percebeu que também fazíamos produção, apostou e entregou o CEP para a gente cuidar — diz Mariana, a vocalista do grupo. — Ele é um ícone, e estamos tentando dar sequência, unindo o pessoal mais antigo com uma garotada que ainda não conhece o CEP.

O criador tem gostado do rito de passagem:

— Eles estão mexendo nas coisas e trazendo novidades, reaproximando o CEP da performance, das artes visuais, produzindo exposições. O CEP é isso, um encontro ininterrupto que passa de geração em geração. Eu o vejo como uma grande escola, algo realmente fundamental à concepção que tenho de educação. Aqui há o exercício artístico, um lugar em que você aprende, exercita e passa adiante. São 25 anos e muitas gerações oferecendo não só residência, mas resistência artística e criativa.

PARTICIPAÇÃO DO PÚBLICO

Além das boas lembranças, Chacal leva à tona seus incômodos da forma mais direta possível:

— Nos últimos dois anos o CEP perdeu o apoio financeiro da prefeitura, o que tem dificultado as nossas atividades — diz o autor do poema “Cidade” (“Cidade: sinistríssima parada/ Tudo é recriado e se esfumaça/ Seus citroëns, seu rock and roll/ Luzes da ribalta refletem na sarjeta/ What’s going on”). — Está mais difícil viver de arte no Rio. Disseram que tínhamos que formalizar o CEP como projeto e disputar edital. O.k. Enviamos, mas não ganhamos. No ano seguinte, concorremos de novo e não ganhamos…

Foi aí que Chacal pensou em escrever um outro projeto: uma peça sobre a história do CEP.

— Escrevi e foi aprovado. Ou seja, foi um jeito diferente de fazer algo que não é o CEP, mas uma peça sobre ele, e que tangencia o seu formato — conta.

— Não é o CEP, é uma peça — explica a diretora Cristina Flores. — Mas a ideia é que a encenação seja atravessada pela participação do público e de amigos, em determinados momentos, e que o espírito do CEP esteja presente.

Um dos mais ativos participantes de coletivos artísticos da cidade, desde 1970, Chacal fez parte da Geração Mimeógrafo e atuou em grupos de poesia como o Nuvem Cigana e de teatro como o Asdrúbal Touxe o Trombone. Agora, volta aos palcos três anos depois de estrear o solo biográfico “Uma história à margem”.

Ao falar do CEP, Chacal elege seus momentos memoráveis. Entre as muitas apresentações “lendárias, bizarras e loucas”, ele cita o auto de Natal em que o artista plástico Ernesto Neto interpretou o menino Jesus, enquanto tomava uma mamadeira de cerveja. Cita, ainda, a apresentação do Chelpa Ferro com participação de Dado Villa-Lobos, na série Quinta dos Infernos, ocorrida na Galeria Alaska, em 1998, um pouco antes de o lugar ser fechado para dar lugar a uma filial da Igreja Universal. E muitos dos seus personagens… Como o Mago Magú, o Alce Triste, o Beberrã e o Minotauro, claro, que será revivido na peça. Personificado numa cabeça de papel machê, que durante anos paramentou o mestre de cerimônias da festa, o Minotauro chegou a ter sua cabeça imolada numa certa quarta-feira de cinzas num ritual em pleno Baixo Gávea.

— Uma das principais característica do CEP sempre foi a mistura de linguagens e olhares — diz Michel Melamed. — Foi lá que eu pude viver essa liberdade de experimentação e integração de linguagens diversas. Com certeza o meu trabalho é resultado desse lugar que é, sem dúvida, o mais importante centro de experimentação artística da cidade.

PRÓXIMA EDIÇÃO EM 28 DE MAIO

Chacal reconhece que foram 25 anos no fio da navalha, reunindo todos os “loucos, pirados, os beats”, que estão “na contramão das instituições”, criando “arte sem chapa-branca”.

— Mas sinto que, nos últimos anos, passaram a ver a cultura como um grande mercado e a cobrar retorno financeiro de algo que tem outra natureza, outro feitio… — afirma ele, lembrando que o CEP chegou a ocupar o Imperator, no Méier, mas o projeto não seguiu adiante por lá porque não “teve retorno”. — Nosso retorno é poético, artístico. É aquela renovada de ar que as novas gerações de artistas oferecem à cidade. É o livre ir e vir das pessoas que se encontram no CEP, o impulso à expressão e à criação que o CEP oferece. E isso vai continuar. Independentemente das condições, esse ímpeto continua porque a necessidade de expressão não morre. E o CEP é um dos poucos lugares que mantém isso vivo no meio dessa selva de pragmatismo, de grana e de mercado que tomou a cidade.

é por isso que constatar os 25 anos de (r)existência do CEP é como presenciar um milagre poético. Afinal, entre idas e vindas, fechamentos e reaberturas do Sérgio Porto, trocas de secretários de Cultura e amparos e abandonos do poder público, o CEP materializou, de forma misteriosa, o impossível: tornar um encontro experimental e improvisado de poesia e performance no mais longevo e contínuo movimento ou projeto cultural da cidade do Rio.

— É curioso pensar isso mesmo, no CEP como esse último grande movimento cultural da cidade, em como ele conseguiu se manter de pé até hoje — diz. — Uma coisa que surgiu a partir de um encontro informal, entre eu, o Guilherme Zarvos e uma série de poetas, e que segue assim, um encontro experimental e imprevisível, que talvez só tenha conseguido se manter por causa dessa liberdade de ir e vir.

E é nesse fluxo que o CEP 20.000 segue adiante e realiza sua próxima edição no dia 28 de maio, no Espaço Sérgio Porto, no Humaitá. É só chegar.

5 anos atrás

Posted in poesia performance música comportamento on 01/04/2015 by cepvintemil

globlackblocklização

Posted in poesia performance música comportamento on 26/06/2013 by cepvintemil

o capitalismo aderna e naufraga. o capitalismo faz água. baumaniemos: o neoliberalismo, forma terminal do capitalismo, se baseia no consumo, na concentração de renda e na exclusão. qual o papel do estado? vigiar e punir (nenhuma “autoridade” se manifesta contra a violência da polícia. muito menos a mídia). as mega incorporações (bancos, indústrias, empreiteiras, etc) dão as ordens. elas não tem cara. seu maior disfarce. a mídia e a segurança pública, seus paus mandados.

o mundo se globalizou faz tempo. tanto a ação quanto a reação. brasil, turquia, países árabes, espanha, new york, tudo a mesma luta contra o neoliberalismo excludente terminal. as armas e os métodos da polícia, a estratégia da mídia, criadora de mentiras q viram verdades, são transnacionais. de outro lado, os governos populares da américa latina, os sit-ins, os black blocks, a descentralização do comando, as redes sociais, tudo se espalhando pelo mundo. 

gostaria de calar e dormir, mas como astrofísicos, quando descobrem que a luz pode ser onda e partícula ao mesmo tempo e que a linguagem, baseada no isso ou aquilo, não dá conta de expressar, astrofísicos que não conseguem calar, querendo anunciar paratodos suas descobertas. 

a polícia apresenta suas armas. não sei bem como driblá-las. a união de milhares de pessoas e as urnas são nossas poucas armas. a vida combatendo a morte. faz bem se alimentar bem para manter a saúde, o discernimento, o entusiasmo. e vamos pra cima. a vida pode mais que a morte.

 

black7

 

CEP HISTÓRICO – 25 / 04 / 2013

Posted in poesia performance música comportamento on 27/04/2013 by cepvintemil

o cep é um pingo de showhappiness

num mar de showbussiness

quando digo que o cep é showhapiness, é verídico. hoje tinha tudo pra não dar certo: pouco tempo para programar produzir e divulgar. o espaço cênico do sérgio porto pela metade (a outra ocupada de amanhã a domingo com o fim do Festival Dois Pontos), luz de serviço, poucas cadeiras na platéia. e eis que derepente baixa um joe de frente e nos acordes da guitarra do marcos vital que o luiz salvador levou, as pessoas começam a pogar e interagir rasgadamente. e aí recebi mago magoo, soltei rojão, fiz mágica. cristina e os barbieasdores rocamburlescoversaram de forma descosturada. pedro lage trovejou, gringocarioca falou meu poema “cidade” em inglês. diana e luana surgiram da platéia, pediram pra falar e o mundo quase veio abaixo. talento e formosura dahora. andré pessoa, o montanha do boato, exumou o espírito argonauta dançarino do cep. o bicho pegou. ave cep. quem viu, viu. quem já foi ao cep, em dia de lua cheia de são jorge, sabe do que estou falando. quem não foi, por zeus, que vá. nas últimas quintas do mes no sérgio porto, humaitá. e depois reinauguramos o florescultura com ritual xamânico. alalaô obatalá !!!

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é com alegria e espanto que os bons dias do cep estão de volta. a velha guarda. a jovem guarda. se você ficou com um beijo suspenso no ar por lá nos anos 90, volte para passar a limpo aquela história. filhos que foram gerados depois de uma noite do cep apareçam. estarão com mais de 20 anos. serão rebatizados em nome de todos os deuses libertários que cismam em rondar aquele centro. jovem guarda que vem chegando, respirai fundo e perceberão todo o tesão de viver que impregnou para sempre as paredes daquele oráculo.

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essas imagens não me saem da cabeça. assim, sem querer, querendo, como diz a chris, nossa embaixatriz, que parece o boato, que parece uma inglesa: só anda na mão trocada. amo a cristina e o cep porque é um lugar indomável, onde ainda mora o desejo e a alegria de inventar. porque sim. o showbiz é triste. dá dinheiro, paga as contas e coisa e tal. mas é triste. é formal. é previsível. não rola festa. não rola interação. é legal pro ego. é legal pro bolso. mas acaba com a nossa alegria. o bom humor fundamental pra criar. ser um bom artista é legal. mas dar uma de artista é uma merda. e é isso que o showbiz nos cobra. se achar. causar. e todas essas merdas. milhões de vezes o ceo, trilhões de vezes cristina. quinquilhões de vezes joe romano. arte é comunhão ou não é. cep na veia forever.

cep 23 anos

Posted in poesia performance música comportamento on 14/04/2013 by cepvintemil

 Formidável o Centro de Experimentação Poética. O CEP 20.000 é uma força estranha. Faz 23 anos em agosto. Sempre com o apoio da prefeitura do Rio, apesar de ir de encontro à sua política cultural. O CEP é um projeto de formação de artistas, formação extra-classe, empurrão necessário em quem quer aprender a voar. No CEP as pessoas se ensinam informalmente. Trocam saberes, ondas, versos, acordes. A prefeitura cede espaço, infra-estrutura de som, luz, pessoal técnico e paga a produção.

  Mas a prefeitura prefere investir na cultura samambaia de plástico: armam o circo, alugam o artista-samambaia e depois devolvem à loja. O artista aceita para sobreviver, mas sua arte não cria raiz. O poder público quando investe em formação são projetos sociais mais preocupados em formar mão de obra ou futuras samambaias do que dar uma consistente formação artística. Temos poucos Calouste Gulbenkians, um CEP 20.000.

   O CEP tinha em seu projeto inicial, oficinas de poesia, teatro e música para ser frequentadas por quem quisesse se aprimorar na performance. Eram noções básicas de dicção, espaço e tempo com apresentações públicas mensais do grupo com um ou outro artista convidado. A apresentação pública vingou. As oficinas não saíram do papel. Talvez isso seja bom. A pessoa aprende fazendo, errando, acertando. Mas ela precisa de mais informações para ampliar seu lequeleque de possibilidades.

   Cultura é coisa viva que requer trato e tempo. Tem a ver com a comunidade. Fala ela, reflete ela. Cultura é registro e transformação. É testemunho e invenção. Arte não é uma coisa decorativa para abrilhantar efeméride. Arte é educação e cultura. Jeito de ser de uma comunidade, de uma cidade, de uma nação. Arte é educação e educação é arte. Tudo é cultura.

   O CEP está aí, fazendo das tripas, coração para seguir viagem numa cidade que só dá valor a mega-eventos globalizados onde imensos artistas samambaias são contratados a peso de ouro para servirem de garotos propaganda das mega-empresas transnacionais. O Estado arma o circo.

 

nas imagens abaixo: matéria publicada n’o globo em 2/4/2013

e foto feita na fase pré cep

em maio/junho (?) de 1990

no projeto Terças Poéticas na Faculdade da Cidade, onde tudo começou.

cepviaja

cep3

Posted in poesia performance música comportamento on 29/03/2013 by cepvintemil

ATA INAUGURAL

boa nova nesse deserto de. ontem habemos cep vinte mil no sérgio porto.
teve tudo conforme o programa: canto bororo de caçada às antas /
o afogamento do coelhinho da páscoa /cristina flores e os barbieasdores /
microfone aberto com ex-alunos da oficina farani 53 e novas e gratas surpresas, como isadora metella, jorge froid, viviane de sales.
salve salve domingos guimaraens, grande parceiro do cep, que me ajudou a afogar o coelho.

o cep é um respiro para a cultura da cidade
não é mercado mas uma feira livre de invenção.
há 23 anos estamos sempre começando. 
tomara que esse ano, apesar das chuvas e trovoadas,
o cep cresça e chegue a outros sítios.

by the way:
ontem inauguramos com fogos e chocalhos
o “espaço cultural cristina flores de convívio e delírio”
na floricultura em frente ao postinho ao lado do sérgio porto.
presentes ao ágape, cristina flores, domingos guimaraens,
beatriz provasi, helena colombiana, adiron marcos, 
isadora metella, augusto guimaraens.
foi só o começo.

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Posted in poesia performance música comportamento on 27/03/2013 by cepvintemil

pre estréia mundial do cep vinte mil 2013

alo alo ! amanhã no e.c. sérgio porto

tem cep vinte mil (quinta 28/03).

ingresso: 1 real.
com chris flores e os barbieasdores.
o afogamento do coelho da páscoa
canto de caça às antas (leve um chocalho)
microfone aberto.

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