carta de 21 anos atrás pedindo apoio ao CEP 20.000

Mesmo com certas imprecisões e exageros, essa foi a carta encaminhada à Rioarte, órgão da secretaria municipal de cultura, que permitiu essa longa kilometragem do CEP. de uma forma ou de outra, o CEP conseguiu tirar um pouco do mofo do ensino oficial de literatura na cidade. poesia de todos para todos.

    “Senhor Presidente do RIOARTE, Tertuliano dos Passos,

É sabido que o interesse pela literatura, especialmente a poesia, vem diminuindo ano após ano. Sem público, as editoras param de editar e os poetas vivem às traças. É preciso que os órgãos oficiais competentes ajudem a reverter esse processo de lento aniquilamento.

Os meios de comunicação de massa com sua percepção calescoscópica e uma vertiginosa dosagem de informações, parece querer deixar o hábito da leitura para um pequeno grupo de ilustres iniciados. Faço parte de uma geração, hoje na casa dos quarenta, que nasceu na época da introdução da televisão no Brasil (1951). Esse fato fortuito nos permitiu uma linguagem híbrida onde o gosto pela literatura e a fala dos mass media se mesclam.

Tenho a firme convicção de que sem um ponto de apoio onde as novas gerações se identifiquem, ou seja, a cultura de massa, jamais poderemos lhes injetar o prazer da leitura. O ensino da literatura nas escolas e faculdades está defasado porque se recusa, inconscientemente ou não, a descer do Olimpo das letras para o mundo das coisas palpáveis.

Como poeta não posso deixar que a poesia seja tratada com descaso ou coisa de iluminados seres especiais. A poesia é um ofício como outro qualquer, que requer estudo e prática. O resto é lenda inventada por quem tem interesse que certa sensibilidade não sobreviva.

Aproveitando o interesse que a série “Terças Feiras Poéticas”, realizada por Guilherme Zarvos na Faculdade da Cidade, durante o primeiro semestre desse ano, provocou em parte considerável da juventude carioca e o aparecimento aqui e ali de vozes onde a poesia está latente, venho através desse projeto, pedir recursos materiais à RIOARTE, para o Centro de Experimentação Poética 20.000 (CEP 20.000).

Atenciosamente

Ricardo de Carvalho Duarte (chacal)

Rio de janeiro, 17 de julho de 1990″.

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