MOMENTO PICARETA ESTRÉIA NO CEP

CAIO CARMACHO é da pá virada. inventou a PICARETA CULTURAL, um troço quie ocorre há 4 anos. 3 durante a FLIP em Paraty. uma na lapa. conheci o cara ainda no orkut. era amigo da minha amiga lorena martins. ele me convidou p/ fazer a primeira picareta. me amarro em paraty. fui. foi muito legal. um troço feito literalmente no grito, na rua em meio ao nariz em pé da Flip. fui a todos. falei, grunhi uns versos. ouvi coisa muito boa. coisa ruim tb. é a vida. o cep acolhe a picareta a partir de agora.  assim como fizemos com o plástico bolha. projetos legais, guerreiros, feito com suor e lágrimas, combinam com o DNA desse centro excêntrico. e o que o caio nos diz:

o que vc estudou? Sou formado em Publicidade e Propaganda. Não tenho muito orgulho disso não, mas paga bem as contas.

em que vc trabalhou? De tudo um pouco: garçom, vendedor, jornalista cultural etc. Há mais ou menos 10 anos, trabalho só como redator publicitário de agências e jornais. Ganho meu pão vendendo o peixe dos outros.

quais leituras te levaram a escrever? Minha formação literária foi bem precária. Até ingressar a universidade, as únicas leituras que me interessavam eram quadrinhos e Playboys. Quando fui pro habitat acadêmico, descobri meu gosto pelos livros. Começou com Mautner e Leminski, passando pelos clássicos, modernos, beats, marginais, concretos, futuristas, contemporâneos, pelos poetas que se acham músicos e músicos que se acham poetas etc. E quanto mais entrava nesse mundo, mais eu me encontrava e me impressionava. Essas descobertas e esse deslumbramento me levaram a escrever.

quem vc admira da sua geração? Bruna Beber, Alice Sant’anna, Leandro de Paula, Ana Guadalupe, Gregorio Duvivier, Lucas Viriato, Flávio de Araújo, Michel Melamed, Rafael Mantovani, Dimitri Rebello, Marcelo Montenegro, Lorena Martins, Vitor Freire, Cecilia Cavalieri, entre outros. Cada um com o seu estilo, mas todos maravilhosos. Além é claro dos picaretas de plantão: estes sim, merecem atenção de sobra.

como era a ideia da flip para sua galera de paraty quando ela começou? A Flip surgiu num momento em que eu e a maioria dos meus camaradas de Paraty estávamos fora, fazendo faculdade. No início foi estranho entender aquela estrutura enquanto cosa nostra, feita e voltada aos paratienses. A parada foi acontecendo e era bacana ver a cidade florida, cheia de mulheres lindas e esquisitas, música comendo solta nas ruas, artistas etc. Mas dizer que nós interagíamos diretamente com isso desde o início, participando e tal, é mentira. Éramos meros observadores, quando não empregados da Flip (a feira é um dos eventos que mais gera empregos informais dentro do calendário cultural da cidade). Mas com o tempo, fomos ruminando esse sentimento e nos envolvendo mais e mais: participando de saraus, concursos, oficinas e prêmios que rolavam no contexto da festa. A necessidade de estar ali e fazer algo diferente, foi o que me levou à ideia da Picareta Cultural.

como pintou a ideia da picareta? A ideia veio fragmentada. Numa das edições mais elitizadas e comerciais da Flip (no quarto ou 5º ano), desabafei com um amigo que aquilo tava uma micareta, que só faltava vender abadá pra assistir as mesas dos autores. Micareta virou Picareta, e a partir daí comecei a pensar num evento aberto e gratuito. Em síntese, uma festa que dispensasse abadá. Conversei com alguns amigos, autores e músicos que tinham o perfil pra coisa e o esquema aconteceu. A Picareta Cultural começou sua história na Flip de 2008, e graças à generosidade de todos os envolvidos, ela continua rolando anualmente.

como foi a evolução da picareta e para onde ela pode ir? A primeira edição de 2008, foi do jeito que dava na rua. Foi a mais amadora e lotada de todas. 

A segunda foi um parênteses na trajetória do evento. Por falta de dinheiro-apoios-patrocínio, o evento não rolou na Flip de 2009. Mas com a ajudinha do amigo Valterlei Borges, conseguimos enquadrá-la num edital de cultura do MinC, e a Picareta aconteceu em dezembro daquele mesmo ano no Rio, capital. A produção ficou linda e teve até dvd da criança.

A terceira trouxe a Picareta Cultural de volta à Flip, como parte integrante dos eventos realizados pela Off Flip de 2010. Aconteceu dentro dum bar do Centro Histórico. Comparada às edições anteriores, foi a mais simples e organizada. Agradou todo mundo.

A última Picareta, está em processo de digestão. À parte as decisões e acontecimentos que rolaram na marca do pênalti, tal como o evento ter voltado às ruas quando na verdade estava previsto para acontecer em um bar, acho que tudo transcorreu bem. A poesia ganhou maior fôlego, espaço e destaque na edição desse ano. Torço pra que isso seja tendência.

Não sei até onde a Picareta pode chegar, mas como ela se tornou a menina dos olhos de muita gente boa por aí, acredito que vai voar fora da asa por um bom tempo ainda.

quando e como sai seu livro? Não sei. Tenho medo de como as pessoas vão recebê-lo. Pensei em lançá-lo esse ano ou no começo do ano que vem. Estou sondando a opinião de amigos que escrevem (os que tenho intimidade e são mais próximos), antes de procurar as editoras. Se alguém achar que presta, eu publico; mas não tenho pressa quanto a isso.

CAIXA ALTA

não tenho feitio

para explosões

prefiro polinizar
palavras

a polemizar situações

 


ESTE LADO PARA CIMA

não se deixe enganar caro leitor,

para ler este poema é necessário
CUIDADO
muito cuidado

sua arquitetura branca e

FRÁGIL
pode não impressionar no princípio

afinal, para compreendê-lo a fundo é preciso
familiaridade e um manual prático
para interpretação de tipos

porque nem toda surpresa vem embrulhada
em papel de presente

nem toda surpresa
inclui pilhas

nem toda surpresa
chega lacrada com um
cartão: de: para:

que nem todo entregador não
consiga violá-la

porque o poema, caro leitor,
é um eterno convite

conteúdo que cabe
numa embalagem que se abre

 

 

 

CORDÃO DAS BORBOLETAS

salvem os radicais livres

do extermínio cotidiano

máscaras de oxigênio caindo sobre
nossas cabeças

instrumentos necessários
à sobrevida do pensamento

 

 

LIÇÃO 100% ALGODÃO

 a mãe adoeceu,

não teve jeito

aprendeu sozinho a lavar

as próprias roupas

desde então

nunca mais tirou da cabeça

as pequenas coisas

importantes

a mãe, o alvejante

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